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Respiração no crawl: 2, 3 ou 5 tempos?

Nadador de crol debaixo de água, entre as linhas de água

Respiração no crawl: 3 tempos, 2 tempos ou 5 tempos? Escolhe a frequência certa para o teu nível, corrige a expiração e nada sem te ficares sem ar.

Sais do crawl depois de 100 m, paras na parede e sentes que acabaste de correr um sprint. O teu cardio provavelmente não tem culpa: é a tua forma de respirar que te tira o fôlego. A verdadeira questão não é «de quantos em quantos tempos respiro», mas sim «que frequência serve o meu objetivo, o meu nível e a minha morfologia». Aqui tens os três critérios, os erros a corrigir primeiro, e quatro exercícios para a tua próxima sessão.

Porque é que respiramos de lado no crawl (e o que isso muda)

No crawl, a tua cara está dentro de água. Não podes inspirar quando te apetece: tens uma janela muito curta a cada ciclo de braços. Tudo o resto vem daí.

Quando viras a cabeça, não a levantas. Deixas rodar com o corpo, um óculo dentro de água, uma orelha perto do ombro. O teu corpo cria uma bolsa de ar à frente da cara, e a tua boca inspira aí sem tirares a cabeça fora. O Effortless Swimming resume assim: um óculo dentro de água, um óculo fora.

Consequência: a expiração passa a ser um gesto ativo. Não guardas o ar à espera da próxima respiração, deitas-o fora debaixo de água para chegares vazio ao momento de inspirar. É isto que transforma uma natação sufocante numa natação que dura.

Segunda consequência: o número de tempos não é uma regra fisiológica, é uma escolha técnica. Muda conforme a série e o objetivo.

2 tempos, 3 tempos, 4 tempos, 5 tempos: para quem serve mesmo

Um tempo é um movimento de braço. A respiração no crawl a 3 tempos é uma inspiração a cada 3 movimentos, alternando direita e esquerda. Guarda esta definição para leres o teu treino.

2 tempos. Uma inspiração a cada 2 movimentos, sempre do mesmo lado. É a frequência que te dá mais ar e a mais fácil de aguentar: iniciantes, séries puxadas, águas abertas, triatlo. O MySwimPro lembra que a maioria dos nadadores respira a cada 2, 3 ou 4 movimentos, e que 5 ou mais já é controlo respiratório.

3 tempos. Uma inspiração a cada 3 movimentos, ou seja, um lado diferente de cada vez: é a respiração bilateral. Equilibra a rotação e mostra o lado mais fraco. Gasta um pouco mais de ar, por isso trabalha-se no aquecimento e nos educativos.

4 tempos. Uma inspiração a cada 4 movimentos, sempre do mesmo lado: dois ciclos de braços entre inspirações. Controlo respiratório leve, útil quando a tua técnica aguenta sem ar. Evita se ficas sem ar em 3 tempos.

5 tempos. Um passo à frente, em alternância. É uma ferramenta para nadadores experientes, em distâncias curtas e controladas. Não é uma frequência para o dia a dia, nem um objetivo em si.

Um ponto que se ouve muito à beira da piscina: respirar a cada 2 movimentos seria sinal de fraqueza. É mentira. Os nadadores mais rápidos respiram muitas vezes a cada 2 tempos em prova, porque o oxigénio disponível faz a diferença nos últimos 50 m. Os 3 tempos são uma ferramenta de técnica e simetria, não um grau a atingir.

A tua frequência conforme o teu perfil.

Iniciante que fica sem ar: 2 tempos. Do lado onde te sentes mais confortável. Os 3 tempos só em 25 m de educativo, quando estás fresco.

Nadador regular: 3 tempos no aquecimento e na técnica, 2 tempos nas séries puxadas. O bilateral continua a ser a tua ferramenta de simetria.

Triatleta: 2 tempos por defeito, 3 tempos na piscina. Mais ar em prova, lado fraco no treino.

Águas abertas: 2 tempos, mudando de lado conforme as ondas e o sol. Se só respiras de um lado, uma onda pode bloquear-te.

Três perguntas para decidir. Ficas sem ar? 2 tempos. A tua rotação é assimétrica? 3 tempos na técnica. Aguentas nadar sem respirar? 4 ou 5 tempos, em séries curtas.

A morfologia também conta: um pescoço rígido, um ombro pouco móvel ou um tronco largo pedem mais rotação. Se um lado é claramente mais confortável, é o teu lado dominante, não é erro.

Os 3 erros que tiram o fôlego (e que achamos que é falta de cardio)

1. Guardas o ar em vez de expirar. É o erro número um, até em atletas muito treinados. Inspiras, metes a cabeça na água e ficas a segurar. Quando vais respirar, os pulmões ainda estão cheios: sais com meia respiração.

A vontade de respirar é desencadeada pelo acúmulo de CO2, não pela falta de oxigénio. O U.S. Masters Swimming lembra isto e nota que triatletas experientes só aguentam algumas piscinas porque bloqueiam a respiração. Ficar sem ar vem quase sempre da expiração debaixo de água, não do volume de ar inspirado.

A correção: assim que a tua cara entra na água, deixa sair um fio de bolhas pelo nariz, depois sopra mais forte antes de virar a cabeça. Chegas vazio, inspiras de uma vez. Um truque simples: em 25 m, deves conseguir contar as bolhas sem esforço. Se acabas a piscina em apneia, não expiraste, seguraste o ar. Pelo nariz ou pela boca? Os dois funcionam. O nariz ajuda a manter um fio contínuo e regular, a boca deita fora mais rápido quando forças. O único proibido é não deitar nada fora.

2. Levantas a cabeça em vez de a virar. Olhas para a frente, a testa sai, as ancas descem: o teu corpo vira âncora. O MySwimPro diz claramente, olhar para a frente antes de virar faz as ancas afundarem. Corrige mantendo o olhar para o fundo e rodando com o corpo, um óculo dentro de água.

3. Respiras demasiado tarde ou demasiado tempo. Se viras a cabeça quando o braço já saiu, já não tens apoio e o corpo afunda. Respira cedo no ciclo, com apoio do braço oposto, e traz a cabeça antes do braço da frente entrar na água.

Uma precaução: nunca hiperventiles antes de nadar e não tentes aguentar muito debaixo de água. O U.S. Masters Swimming explica que a hiperventilação tira o sinal de alerta do CO2 e pode causar desmaio sem aviso.

4 exercícios progressivos, incluindo respiração bilateral

Não precisas de trabalhar tudo no mesmo dia. Faz os dois primeiros se ainda ficas sem ar, os dois seguintes se já aguentas as piscinas.

1. Bolhas na parede (5 minutos). De pé no tanque pequeno, inspiras, metes a cabeça debaixo de água, expiras até ficares vazio. Objetivo: expiração contínua, mais longa que a inspiração.

2. Crawl com um braço, respiração de lado (4 × 25 m). Um braço esticado à frente, respiras a cada puxada. Aprendes a virar a cabeça com o corpo em vez de levantar. Dica: um óculo dentro de água.

3. Respiração bilateral a 3 tempos (6 × 25 m). Nadas a respirar a cada 3 movimentos. Se engoles água, abranda: é ritmo, não capacidade. Os dois lados devem ser parecidos.

4. Bilateral e depois 5 tempos (8 × 25 m). 15 m a 3 tempos, 10 m a 5 tempos, 20 segundos de descanso. Se a técnica se estraga, volta aos 3 tempos: não é um teste de apneia.

Só uma correção de cada vez, senão não corriges nada.

Como saber se está a funcionar. Fazes 8 × 50 m a 3 tempos com a mesma qualidade na última série que na primeira. Se a segunda metade piora, não te falta ar, falta-te expiração.

Como integrar numa sessão (exemplo prático)

Uma sessão de 1 300 m que junta tudo, em piscina de 25 ou 50 m. Podes repetir uma vez por semana.

Aquecimento, 400 m. 200 m crawl suave a 2 tempos, depois 4 × 50 m com 25 m educativo e 25 m a nadar a 3 tempos, 15 segundos de descanso. Se estás a começar do zero, o plano de 8 semanas para nadar sem parar segue esta progressão desde o início.

Bloco técnico, 300 m. 6 × 50 m a 3 tempos, 20 segundos de descanso. Só uma dica: virar a cabeça com o corpo. Não procures velocidade.

Série principal, 8 × 50 m. 25 m a 3 tempos, 25 m a 2 tempos, 20 segundos de descanso. Vais buscar ar na segunda metade, quando a fadiga chega.

Volta à calma, 200 m. Costas ou crawl muito lento. É o RAC dos teus treinos, e o glossário de natação tem todos os termos que encontras num plano.

Duas regras. Só uma dica de respiração por série, não mudes de frequência a meio. E só passas aos 4 ou 5 tempos quando aguentas os 8 × 50 m a 3 tempos sem ficar sem ar. Enquanto não conseguires, o problema não é a frequência, é a expiração.

Versão curta, 30 minutos. 300 m de aquecimento com 4 × 50 m a 3 tempos, depois 6 × 50 m alternando 3 tempos e 2 tempos, e 100 m de volta à calma. Mesmo trabalho, metade do volume.

Em resumo

Ficas sem ar ao fim de 100 m? Passa para 2 tempos e corrige a expiração antes de mexer na frequência.

Queres uma natação simétrica? 3 tempos no aquecimento e na técnica, 2 tempos nas séries puxadas.

Preparas um triatlo ou prova em águas abertas? 2 tempos por defeito, mudando de lado conforme as ondas e o sol.

Bloqueias a respiração sem dar conta? Cinco minutos de bolhas na parede antes de cada treino e resolves metade do problema.

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